Whammy


Lançado em 1989, o Whammy é um pedal original e pioneiro. Apresenta 3 seções de efeitos – Detune, Harmonizer, e Whammy. As duas primeiras já não eram novidade quando do lançamento do pedal. Já o efeito que dá nome ao produto, esse sim surpreendeu o mercado. O efeito consiste em, usando o pedal de expressão, elevar ou baixar o tom (pitch) de uma nota gradualmente até um dado intervalo. Por exemplo, tocar um Dó grave e elevá-lo em duas oitavas enquanto se pressiona o pedal.

Sem dúvida alguma, não há músico mais associado ao efeito, e sua popularização, do que Tom Morello, do Rage Against The Machine, razão pela qual o vídeo de “Killing in The Name” abre esse post. O Whammy foi o primeiro pedal/efeito que tive, antes mesmo de distorção (sim, eu era meio maluco, e já tinha distorção no meu toca-fitas Aiwa). Eu nunca fui fã do Rage, mas após ver um show deles na TV, inaugurei minha G.A.S. (termo que, creio, nem existia naquela época).

 

O Whammy original foi desenvolvido pela empresa IVL, e lançado pela Digitech – a IVL é parceira da Digitech em processadores de áudio, especialmente no que tange Harmonizers e cia.). Esse Whammy original, hoje chamado Whammy I, foi descontinuado em 1993 e, logo após, foi relançado na forma do Whammy II, agora já produzido pela Digitech. Em seguida, vieram o Bass Whammy, o Xp-100 (com acréscimo de wha, filtro e volume) e então o atual Whammy IV. Além disso, em 2011, a Digitech lançou o Whammy DT, que incorpora ao Whammy os efeitos do Morpheus Droptune, perfeito para funcionar com acordes pois, até então, tentar usar o efeito em mais de uma nota simultaneamente gerava resultados imprevisíveis. O DT também é true-bypass; porém, apresenta tamanho ainda maior que o modelo IV.  Hoje, já está no forno o possível Whammy V, que permite ao usuário escolher entre o modo tradicional do Whammy ou o polifônico, é True-Bypass, e volta ao tamanho do IV.

Cada versão apresenta algumas novidades e peculiaridades. De todas, o Whammy I é o mais valorizado no mercado de usados, tanto pela raridade, quanto, segundo alguns, pelo fato do percurso do pedal ser mais gradual e suave, e ser mais resistente. O IV tem se mantido há bastante tempo no mercado como padrão, e o DT talvez não tenha se popularizado tanto devido ao seu tamanho avantajado, e o fato curioso de muitos preferirem as imperfeições do whammy em acordes à polifonia perfeita do DT.

Agora, melhor que falar sobre, é mostrar o efeito em ação na mão de gente que soube criar música com um artifício pouco natural e que, se super-utilizado, pode cansar mais rapidamente que o wha-wha (Kirk Hammett que o diga).

Tom Morello dispensa apresentações, e seu uso do Whammy ilustra o verbete em qualquer dicionário de efeitos. Então vamos pular para outros usuários ilustres.

Na intro de Iron Lung, do clássico The Bends, Jonny Greenwood tira proveito do “defeito” do Whammy, que antes do surgimento do modelo DT, não suportava acordes inteiros com fidelidade.

Oposto ao uso barulhento do Whammy de Morello e Greenwood, David Gilmour manuseia o efeito com tanta elegância, que tem gente até hoje sem saber que tem um efeito digital alterando completamente o sinal da guitarra em Marooned.

Aqui, Steve Vai, usando o Whammy e um delay digital, cria um contra-tempo interessante:

Você não deve conhecer, mas o Longwave é (ou era) uma grande banda do que pode ser chamado indie rock de NY. O solo dessa música é excelente exemplo de como usar o whammy pontualmente, sem exageros – e foi o culpado por eu começar a recair na GAS por um whammy, após ter (estupidamente) vendido meu Xp-100.

Outro ídolo meu (tá, isso é um blog, não uma revista, então, nada de ‘imparcialidade’ – vou falar mesmo de quem curto, ora bolas), Cline utiliza o efeito de diversas maneiras, sempre beirando o caótico. Nesse solo em questão, ele usa o Whammy em conjunto com a oscilação do Fuzz Factory.

 

Bem, eu podia listar muitos outros exemplos, até porque o efeito aparece em milhares de músicas de 90 pra cá, nos mais variados gêneros, de Filipe Dylon (mas não postarei o vídeo para não tirar a pouca dignidade que ainda resta a esse espaço) a Bruce Springsteen, passando por Muse. Até o Lord Page tem dois (!) Whammy em sua pedaleira.

Infelizmente, após me divertir muito incomodando os amigos de banda com meu Xp-100, o vendi. Anos mais tarde, acabei comprando, agora a versão IV, e quase o vendi posteriormente. É grande, pesado, o buffer deixa o os fuzzes loucos se forem colocados após ele na cadeia, e realmente, não é pra ser usado o tempo todo. Mas, junto do meu Fuzz Factory, tem horas que cai como uma luva, quando se quer um som fora do lugar comum. E, como paciência, dá pra usar até de maneira sutil, com bastante delay, criando paiságens etéreas e outras cositas más, sem necessariamente gritar “olhem, comprei um pedal novo!!!”.  Fiz esse tópico pra mim mesmo – toda vez que tiver vontade de vender o Whammy (músico duro sempre quer vender o que tem pra comprar o que não tem), é só dar um pulo aqui e ver que dá pra fazer muita coisa bacana com ele.

 

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~ por Paulo Grua em 07/05/2012.

4 Respostas to “Whammy”

  1. muito bem concordo com tudo mas gostaria de saber a diferença do xp100 para IV parabens muito bom mesmo

    • Legal que curtiu!
      E obrigado por comentar – admito que tenho deixado esse blog meio esquecido hehe

      Olha, o XP-100 tem duas diferenças básicas em relação aos outros Whammy – ele tem Presets, onde você pode salvar, salvo engano, 5 sons, e, além das tradicionais seções de efeitos de Pitch Bend, DEtune e Harmonizer que todos os outros tem, o XP-100 tem uma seção de filtros (wha e auto-wha), além de um afinador embutido (muito, muito fraquinho hehe).

      Abc!

  2. tenho um xp 100 guardado no deposito ha muitos anos.esta estragado mais ouvindo tantos elogios sobre ele,vou conserta-lo e acrescentar no meu set de pedais,he he he…

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