Entrevista – Leo Martínez, Camarones Orquestra Guitarrística


Não; eles não são uma orquestra de guitarrista vestindo smoking, tocando versões hair-metal de Bethoven. O Camarones Orquestra Guitarrística tem uma formação clássica de rock, e passeia pelo rock, ska e surf music – só não tem vocalista. Música instrumental com veia rock não é coisa nova, os Ventures e Shadows que o digam. Mas desde os anos 70, o rock instrumental está mais associado ao virtuosismo ou à fusão com elementos do jazz ou outros estilos. A idéia de uma banda instrumental de rock com influências de surf até anda em voga hoje em dia, mas muitas dessas bandas fazem parte  de uma onda retrô. O Camarones, por usa vez, se inspira no passado, mas faz um som moderno e original. Comandando uma das duas guitarras da banda está Leo Martínez. Assim como suas camisetas de bandas revelam, seu estilo homenageia os clássicos da guitarra rock e suas diferentes vertentes – de Link Wray a Stevie Ray.

Abaixo, vocês vão conhecer mais um guitarrista que, com talento e trabalho, está conquistando um merecido espaço com sua banda.

Leo, ano passado foi um ano ocupado e produtivo pro Camarones. Shows, cd novo com produção do Chuck Hipólito, Brasil, exterior… Quais os planos pra 2012?

O plano pra 2012 é focar em ações maiores, tentar dar um passo a frente. Estamos com datas marcadas no Uruguai e Argentina em março, queremos atingir também o público de estados que ainda não tocamos e já estamos trabalhando desde o ano passado para viabilizar nossa ida a europa no final do primeiro semestre. Fora isso, devemos lançar algum ep ou singles pra ir aquecendo pra um disco novo, que deverá ser produzido no final do ano. No mais é isso, continuar tocando aonde for possível.

Muita gente reclama que não tem espaço pra música mais alternativa – e vcs provam o contrário, e abusam – tocam instrumental. Como tem sido isso? Como achar lugares pra tocar, e viabilizar essas pequenas tours?

O espaços existem e isso é fato. A grande sacada é conhecer e potencializar esses espaços. É muito importante buscar parceiros locais, sejam eles as bandas, as casas de shows, ou produtores e nós valorizamos e respeitamos muito esse relacionamento, de forma que fique interessante para todas as partes. Muitas vezes tem lugares mais dificeis de serem alcançados e não temos muitos contatos, mas motivados por um show que gera um melhor rendimento, decidimos investir nesses lugares e seguir desbravando, formando público, firmando parcerias. A estratégia tem se mostrado muito eficiente, e sempre que retornamos, percebemos que tem dado resultado. Nós trabalhamos pesado com quem quer trabalhar e é isso que movimenta tudo. Além disso, nunca subestimar show algum. É tocar na mesma semana em um festival com atrações internacionais e público de mais de 10 mil pessoas, e na calçada de um beco com apenas uma tomada. O show é o mesmo, a vontade é a mesma e essas situações são importantes pro crescimento da banda.

 

 

Você falou sobre trabalho. Todos vocês vivem da banda, ou de música em geral?

Não. Anderson e Ana Morena vivem exclusivamente de música mas não só da banda, eles são produtores, fazem festival, tem estúdio de gravação, trabalham com produção e edição de videos e estão a frente de um centro cultural que ta de portas abertas desde 2004 em Natal impulsionando a produção e apresentação do rock por aqui. Artur estuda licenciatura em música e dá aulas. Mas eu e Karina conciliamos a música com Engenharia e Turismo, respectivamente e eu tou envolvido em projeto de pesquisa. É um bom desafio fazer tudo isso. Hoje a banda já movimenta alguma grana, mas não para nos sustentar e sim para realizarmos vários investimentos relacionados a ela.

Falando em investimentos, meu primeiro contato contigo foi com compra e venda de equipamentos. Hoje rola toda essa febre de compra e venda, a GAS se tornou epidêmica. Mas, pra uma banda na estrada, o quanto você acha importante investir em equipamento? E o que é mais fundamental?

Engraçado que muita gente que eu já negociava ou trocava uma idéia, acabei conhecendo pessoalmente graças à banda. Ainda não é nosso caso, mas vai ser em breve e isso é muito legal. Mas voltando, já fui bem mais inquieto com equipamentos, mas nos últimos dois anos, pegamos muito a estrada e com isso, todo tipo de situação, desde não ter um amplificador pra tocar, a ter o pior possível, ou a surpresa incrível de ter um ótimo backline à disposição.

No meio de tudo isso, muitos detalhezinhos de timbragem ou nuances de pedais ou equipamentos acabam se perdendo. Então eu acho que o fundamental mesmo é ter uma guitarra que nunca te deixe na mão, que aguente o tranco da estrada; que principalmente afine bem, tenha uma boa captação e conforto, além de uma boa construção. Investir numa boa guitarra é o principal, e guitarra é pra ser tocada, pra ir pra estrada mesmo, sem pena. Já nos pedais, uso um set muito enxuto e estou sempre mudando pra testar novas coisas. A coisa que priorizo no investimento dos efeitos é durabilidade, com o timbre a gente vai se acertando, é muito pessoal, tem muitas opções no mercado, mas é fundamental ser durável, resistente e eu sempre invisto mais nos mais robustos, porque sei o que acontece com eles.

Falando em amps de backline, qual foi a situação mais bizarra que você já enfrentou, o ampli mais tôsco? E qual foi a melhor surpresa?

A situação mais bizarra é não ter ampli e tocar em linha haha. Mas fora isso eu tenho pavor do Roland Jazz Chorus, e eles sempre me perseguem. Já tive também que plugar em amplizinho de 15w transistorizado, sem sequer ter um bom retorno. E uma das melhores surpresas foi o dia que tinha um Mesa Boogie Single Rectifier +2×12, um Vox Ac30 2×12 e pro baixo um cabeçote ampeg valvulado. Isso em um pub pequeno no interior de minas, tudo gentilmente cedido pela banda que tocou na mesma noite. Nem preciso falar que foi alto! Outra vez que me surpreendi foi com um cabeçote meteoro misterioso em um festival no Acre. Era o modelo do Andreas Kisser com 280w gerados por kt88 que me deram um timbre poderoso com um Ocd empurrando.

Jazz Chorus é o maior terror do backline. Tocar em linha é o segundo hehe. 

E a idéia de levar seu ampli por aí? Já tentou, ou é mesmo inviável?

Da forma que viajamos ainda é inviável. Viajamos muito de carro nós cinco, mais bagagens e equipamentos. Então temos que levar o mínimo, ou não cabe. Nós cuidamos de tudo, fazemos tudo, montamos tudo, então cada um carrega suas coisas. Assim é quase impossível ainda, mas quem sabe num futuro próximo. Sempre que tocamos em Natal ou perto, levamos nossos amplis, mas sair com eles é um passo que ainda não podemos dar.

Agora, vamos dar um pulo no passado – como começou o Camarones? Hoje temos uma onda (se é que posso chamar assim) de bandas tocando rock sem vocal. Mas o Camarones já está aí faz um tempinho, né?

A banda já tem pouco mais de 4 anos de formada. No final de 2007,  Anderson teve a idéia de reunir amigos que frequentavam o estúdio e o objetivo era fazer um projeto divertido pra tocar trilhas de desenhos, filmes, e isso serviria como um grupo de estudo para explorar estilos diferentes. Mas ai começaram a compor, gravar, os shows foram surgindo e o projeto foi criando a cara de banda mesmo, o que culiminou com uma mudança radical de formação em 2009 após uma parada de quase 6 meses. Foi quando entrei pra banda e os ex-integrantes decidiram se dedicar mais a suas outras bandas.

Você falou em trilhas, e muitas múscias do Camarones rolariam numa boa pra trilha de filmes de ação, como dá pra ter um gostinho pelo clipe de “Com a Água no Pescoço”. 

Alguma possibilidade de entrarem nesse meio, de trilhas de filmes?

A possibilidade existe e é algo que nos interessa muito, mas por enquanto não temos nada concreto nesse sentido. Espero que role em breve alguma parceria assim. Enquanto isso, vamos produzindo clipes. Já estamos planejando mais um ou dois para breve.

Como essa entrevista está toda ao contrário, vamos terminar com o começo – quais suas influências? Quais os músicos e bandas que mais te marcaram no início. E quais te influenciam hoje?

Eu desde sempre ouvi muita coisa dentro do rock, e sempre ouvi muito Beatles; então, o George Harrison é quase um pai. Mas diria que toda a minha carga de influências passeia ali pelo passado, de SRV, Rory Gallagher, Hendrix, Clapton, Angus Young, Wayne Kramer, Link Wray… Quando era moleque, o Iron Maiden me inspirou muito, o Johnny Ramone também. Todos esses mestres me inspiraram de alguma forma. Também piro muito no Jack White, acho o cara um gênio. E também tenho buscado referências em outros estilos, como os mestres da guitarrada paraense, Robertinho do Recife, e por aí vai.

Muito obrigado pela entrevista, Leo! Pra fechar, onde o pessoal pode adquirir os discos e conferir a agenda de shows do Camarones?

Eu que agradeço o espaço. No nosso site tem os 2 discos e tudo que já gravamos para download gratuito e tem a agenda atualizada sempre. É o www.camarones.com.br . Em breve vamos inaugurar a loja virtual pra quem quiser comprar os cd’s mesmo e camisas. Enquanto isso, quem quiser, pode nos contactar que enviamos. No site tem os links para todos os contatos e redes sociais.

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~ por Paulo Grua em 30/04/2012.

2 Respostas to “Entrevista – Leo Martínez, Camarones Orquestra Guitarrística”

  1. Legal, Grua, atiçou minha curiosidade. Vou baixar e ouvir…

  2. Grua manda muito bem como entrevistador, rola um lance meio divertido 😀

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