GUITARRISTA QUE VOCÊ DEVERIA CONHECER, MAS NÃO CONHECE – VI


Você já deve ter ouvido falar em Mr. Big caso tenha mais de 25, curta rock farofa ou seja um guitarrista fissurado. É a banda dos virtuosos Paul Gilbert e Billy Sheehan, com Eric Martin nos vocais. Mas esse post não tem nada a ver com eles; tem a ver com a banda cuja canção os garotos de L.A., na década de 80, usaram como alcunha. ‘Mr. Big’ é o nome de uma música do Free, banda que começou em 68 e precocemente se desfez em 73. Era composta pelo vocalista Paul Rodgers, considerado por muitos um dos maiores vocalistas no rock’n’roll, a cozinha pesada e classuda de Andy Fraser no baixo e Simon Kirke nas baquetas, e o assunto desse post, Paul Kossof, nas seis cordas.

Empunhando a dobradinha clássica Les Paul+Marshall, o tampinha Kossof, que nunca se tornou um grande nome como Page, Beck ou Blackmore, era um gigante no palco. Seus riffs despidos de firula, secos e diretos, junto a solos blueseiros e melódicos, eram sua marca registrada. Outra marca, talvez a mais associada a ele, era seu vibrato. Único, intenso e visceral, Kossof fazia a guitarra, desculpem o clichê, chorar. Mas não choro de remorso – um choro amargo, de ferida aberta na alma; impossível ouvir e se manter indiferente. Essa crueza e intensidade, e a ausência de elementos suavizadores nos arranjos (quase nada havia de cordas ou teclados) talvez tenham sido os responsáveis pelo Free nunca traduzir o sucesso de seus shows, conhecidos por performances arrebatadoras por parte de toda a banda, em vendas de ábuns. Porém… uma música alçou-os ao panteão do rock’n’roll para sempre:

All Right é simples e crua como tudo mais que  eles produziram. Mas o riff cativante de guitarra, em cima da batida hipnótica bumbo/caixa (lembraram de alguma banda australiana?) é um dos mais empolgantes já registrados. O uso criativo de cordas soltas em acordes simples, mas tocados de maneira peculiar, um timbre de drive primal mas ainda elegante, as pontuações melódicas do baixo de Fraser  e o vocal perfeito de Rodgers fizeram dessa música simples um hit, e alavancou as vendas do álbum ‘Fire and Water’, culminando com a banda se apresentando no Isle Of Wight em 1970.

Pros guitarristas de plantão, procurem ver como o vibrato de Kossof e seus ritmos cadenciados vieram direto do blues, e influenciaram a pegada dos irmãos Young (reparem, especialmente, no vibrato de Angus).

Kossof, além de um admirador da música negra norte-americana, começou sua caminhada no estudo do violão clássico, com gosto especial pelas obras da guitarra espanhola. Nas décadas a seguir, infelizmente, muitos guitarristas, críticos e fãs tenderam a valorizar mais o virtuosismo, deixando o legado do baixinho inglês de poucas palavras e afiado senso de humor em segundo plano. Sua simplicidade e honestidade no instrumento, que por vezes constragem (ainda mais hoje), são uma aula do lirismo sem frescura, e da essência do rock, e merecem ser constantemente lembrados.

Enjoy.

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~ por Paulo Grua em 20/10/2011.

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