Tirando sons: mais com menos.


Caminhando pelos palcos, estúdios e  fóruns da vida, constata-se que guitarristas, de amadores a profissionais, dos ‘cheapos’ aos ‘boutiqueros’, todos tem se armado de grande variedade de pedais. Um tipo de pedal chama a atenção por se encontrar multiplicado num mesmo board: o drive. Overdrive, distortion, fuzz, ou meros “stragalyzers”, como um conhecido meu carinhosamente cunhou esses artefatos, que servem para gerar ruído e barulho, distorcendo, clipando ou saturando as ondas do sinal, destruindo ou multiplicando os harmônicos.

A maneira como se usa um determinado tipo de pedal é essencialmente pessoal. Não há regra absoluta no que tange à ordem de ligação, número de pedais, marcas, etc. Mas uma coisa que eu aprendi é que você não precisa de um pedal para cada tipo de som. Vejo muitos guitarristas armados com um overdrive mais leve para blues, um para rock 70, outro para hard rock 80, outro para solos, outro para grunge, e por aí vai. Salvo o caso de guitarristas de bandas de baile, onde se tem de cobrir uma infinidade de estilos, bandas e sons com fidelidade (e daí eu acho bem mais jogo comprar uma Line6 M13 ou uma Vox Tone Lab e ser feliz), creio que você pode conseguir bem mais sons com menos pedais.

Como? Os gringos chamam de stack, que nada mais é que a soma de pedais em série. Já vi muitos guitarristas tomando susto com meu set, quando perguntavam como eu usava meus pedais. Assim que eu ligava dois overdrives juntos, os olhares de espanto revelavam, “ué, não vai fazer ruído demais?”, “ih, vai embolar tudo, não?”. Se você souber o que está fazendo, não, não vai gerar um nível de ruído obtuso, nem embolar graves, nem perder definição. A vantagem disso é a mudança mais sutil e natural de timbre. Ao invés de sair de um timbre levemente saturado com um pedal, para um totalmente hi-gain com outro, você soma um drive leve com um de médio ganho e, sem mudar tanto a assinatura sonora, chega num nível de ganho bem pesado. Se os pedais forem bons e bem regulados, voilá, se antes você tinha dois pedais e dois sons, agora terá dois pedais e três sons.Se você tem três pedais (A, B e C), fazendo a conta, verá que agora terá 7 possibilidades sonoras: A, B, C, A+B, A+C, B+C e A+B+C. E você achando que as aulas de análise combinatória nunca lhe seriam úteis.

Outra coisa, de ainda maior importância, é o uso de dinâmica e volume. Você, se usa amplis valvulados, ou bons pedais de drive ou fuzz, pode extrair diferentes nuances timbrísticas manuseando o controle de volume da guitarra, ou apenas alterando a força com que palheta as cordas. Ainda mais, pode tirar sons diferentes palhetando em regiões diferentes, de jeitos alternativos (repare como o ângulo da palheta altera o timbre) ou usando dedilhado com unha, sem unha, etc.

Por último, você ainda pode conseguir mais camadas de sons diferentes do mesmo equipamento se você brincar com o controle de Tone de sua guitarra. Sim, existe um botão desses em quase todas as guitarras, e sim, eles são úteis. Não tenha medo de usá-lo.

Some tudo isso, e terá um arsenal de timbres diferentes, perfeitos para expressar as mais diversas emoções que sua música requer. Esses são modos de se conseguir sons que funcionam pra mim – jamais uma regra. Mas acho que seu bolso vai agradecer, e seus ouvidos serão agraciados com uma dose de sons novos e diferentes – talvez até ajudando a chegar naquele tão sonhado “timbre pessoal”.

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~ por Paulo Grua em 14/09/2011.

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