Parabéns, Sr. Riff


Nesse mesmo dia 19 de Maio, em 1945, nascia Peter Dennis Blandford Townshend, ou Pete Townshend. Junto a Roger Daltrey, John Entwistle e Keith Moon, liderou uma das bandas mais marcantes e originais vindas de Londres – ou de qualquer outro lugar, de fato. O The Who, apesar de partilhar da mesma influência do blues dos Estados Unidos com outras bandas como os Rolling Stones e Yardbirds, tinha uma pegada diferente, crua e reta, misturando melodias cativantes com riffs viscerais e “na cara”. Ao longo da carreira, se distanciou ainda mais do pop britânico original e, ao invés de seguir a psicodelia de Srgt. Peppers, adentrou um caminho ambicioso: o da ópera rock. Depois de escrever pérolas de 3 minutos por alguns anos, Townshend agora escreveria discos conceituais que, além de grande profundidade de arranjos para o padrão do rock’n’roll, ainda conseguiram grande sucesso comercial. Tommy, um dos frutos dessa fase, até hoje é um dos maiores clássicos da música pop.

Em termos de equipamento, Pete sempre mudava de guitarras, pedais e amplificadores, mas uma constante nos palcos era seus Hiwatts, amplificadores super altos, que ele tocava no talo, o que lhe rendeu perda de parte da audição e tinitus. Seu timbre favorecia o uso de power chords abertos (ele foi um dos precursores no uso de power chords, influenciado por Link Wray), com um nível de distorção balanceado – quando precisava de mais sustain para solos, recorria a um Super Fuzz ou algum outro pedal de fuzz.

Para uma lista completa e minuciosa de equipamento, dê um pulo aqui.  Algumas guitarras raramente eram usadas ao vivo, em especial a Gretsch Chet Atkins, devido sua suscetibilidade à microfonias, usada na gravação dos riffs de Baba O’Riley e Won’t Get Fooled Again, talvez o som mais icônico de Townshend. Aparentemente, Malcolm Young sabia disso (já reparou como os riffs do AcDc possuem uma pegada semelhante ao trabalho do the Who?). Ao vivo, ele tirava timbres secos e com punch com Les Pauls Deluxe, Les Paul Jr. ou Sg com P-90s. Além disso, o catálogo do The Who é abarrotado de ótimos exemplos do uso de Telecasters, Rickenbackers e Stratocasters.

Townshend foi também um dos pioneiros no uso de cordas grossas na guitarra. Ao contrário de seus contemporâneos Beck, Clapton e Page, que usavam cordas light como .008 e .009, Pete, que não solava muito, era adepto de cordas .010, .011 e até mesmo .012, dependendo da fase do grupo e do modelo de guitarra – outro segredo que Malcolm Young parece ter se dado conta (também conhecido por usar cordas .012 em suas Gretch).

A atitude rock’n’roll de Pete no palco, sua criatividade no estúdio e sua capacidade de compôr pérolas atemporais num formato tão aparentemente limitado como o rock, merecem ser celebrados sempre. Parabéns, Sr. Riff.

Enjoy.

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~ por Paulo Grua em 19/05/2011.

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