Zappa.


Compositor, guitarrista, letrista. Voz de opiniões contundentes sobre a cultura e política norte-americanas, sem papas na língua. Frank Vincent Zappa, inpirado em R&B, DooWop e blues de um lado, e Varése, Stravinsky e Bartók, de outro, criou um legado musical difícil de catalogar. Entre discos oficiais, bootlegs, peças orquestrais, coletâneas e projetos alternativos, são centenas de títulos.

Não apenas um ótimo músico e guitarrista, Zappa tinha um faro (piada involuntária) excepcional para descobrir novos talentos. Steve Vai, Warren Cuccurullo, Chester Thompson, Vinnie Colaiuta, Terry Bozzio, George Duke, Adrian Belew, Mike Keneally e outros eram anônimos e/ou bem jovens quando foram tocar com Frank, e de lá saíram para respeitadas carreiras como solistas ou sidemen.

Em termos de guitarras, Zappa foi muito associado à SG e à Strato. No entanto, mesmo antes da febre de ‘frankensteins’ inaugurada por Van Halen, Frank customizava e modificava quase todos seus intrumentos, como a costumeira adição de circuitos de boost. Como gostava de guitarras bem personalizadas, não se satisfazendo com as de linha, utilizou muito o serviço de luthiers. Uma de suas SGs mais fotografada, por exemplo, era, de fato, uma cópia feita por um artesão fã. Em se tratando de pedais, era um grande apreciador de compressores e flangers, além de usar um Wha semi-aberto para realçar médios durante os solos. Suas composições, seus ligados com idéias rítmicas quebradas e suas longas improvisações sobre curtas vamps modais, no entanto, são muito mais relevantes em seu som do que os tipos de captadores (que variaram de singles P90s a humbuckers Dimarzios), guitarras ou amps de que dispunha.

Outro recurso interessante em seu trabalho era sua técnica de colagens. Zappa gostava de pegar um improviso de uma música gravada ao vivo e, num disco subsequente, utilizar trechos deste mesmo solo sobre a base de outra música. E na época, era tudo na navalha – nada de cntrl+c/cntrl+v. Não raramente, as fórmulas de compasso não eram a mesma, ocasionando divisões rítmicas um tanto inusitadas.

Pra quem não conhece a obra do bigode ítalo-americano mais ácido e prolífico do século passado, fica complicado indicar apenas meia-dúzia de vídeos ou discos. Exponho aqui uma série de favoritos pessoais, mas o melhor mesmo é ir comprando disco a disco.

Enjoy

Anúncios

~ por Paulo Grua em 22/07/2010.

4 Respostas to “Zappa.”

  1. Bom texto. So um detalhe: é Warren Cucurullo, nao John Cucurullo.

  2. Só uma palavra : Gênio.

    (ah , Grua , tenho no orkut fotos de todas as guitarras dele , se você abrir um tópico lá na G&G com esse post (o que seria uma boa) eu posto lá e organizo as fotos com informações…

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: