Robben Ford – Blues Connotation


Eis um disco que nunca mais vi vendendo no Brasil desde o dia em que esbarrei com ele na Scherazade (é assim que se escreve? Ela ainda existe?), na Tijuca. Como era meu costume à época, em que tranquilamente 50% do meu orçamento ia em discos (não, nem eram tantos discos assim), comprei às cegas, só porque havia lido na GP gringa sobre o senhor Ford. Como o descreviam como um bluseiro/jazzista, fiquei interessado.

A primeira audição foi difícil. Hoje, só de avistar Charlie Haden e Bill Frisell entre os créditos já daria pra ter uma idéia vaga do que estava por vir. Mas, naquele tempo, eu esperava ouvir jazz, no máximo be-bop, ou blues de chicago, ou um misto dos dois. Mas uma mistura incomum de Charlie Haden com Ralph Towner mais Robben Ford não poderia dar num álbum óbvio, claro. E eu demorei pra entender aquilo.

Com repertório que vai de Charlie Parker a Screamin’ Jay Hawkins, passando por originais do baterista Jerry Granelli, o disco brinca com os limites e definições de jazz e blues, soando mais jazzy e bluesy que muita coisa nessas respectivas prateleiras. O toque lírico/fantasmagórico de Frisell está presente em algumas faixas (nem precisava ler os créditos pra saber quais), influência, inclusive, que levo comigo até hoje (não sabia quem ele era então). O trombone de  Julian Priest, com fraseados que marcam definitivamente que aquele não é um disco de blues, dão um sabor New Orleans, aquele jazz que é free, mas não é free jazz. E é essa a veia que o disco toma; super improvisativo, livre, dissonante, mas nunca caindo no free jazz de Sun Ha. Chega próximo do free com “F” maiúsculo com a peça de Ornette Coleman, que dá nome ao álbum. Mas, ao invés de chocar, cria um clima bluesy noir.

Péssimo disco pra quem quer conhecer o Robben Ford, ótimo disco pra quem sabe que rótulos mais atrapalham que ajudam.

Ah, e o timbre do Robben é de dar raiva, e fazer você jogar seus trocentos pedais pela janela. Um a um.

Enjoy.

http://www.megaupload.com/?d=XVT8G07H

01. City Life (Jerry Granelli)
02. One Day At A Time (
Jerry Granelli, Charlie Haden)
03. I Could See Forever (Denny Goodhew)
04. Wanderlust (Johnny Hodges)
05. Billi’s Bounce (Charlie Parker)
06. I Put Spell On You (Screamin Jay Hawkins)
07. Blues Connotation (Ornette Coleman)
08. Blues Connotation Reprise (Ornette Coleman)

Músicos:

Robben Ford: Guitar
Ralph Towner: Keyboards
Anthony Cox: Bass
Jerry Granelli: Drums
Bill Frisell: Guitar
Charlie Haden: Bass
Kenny Garret: Saxophone
Julian Priester: Trombone

Bill Frisell toca guitarra em todas as faixas a partir de Wanderlust.

Ah, já que citei o som do Robben Ford, que tal fotos do que ele cosuma usar (aposto que não foi o que ele usou no disco, mas…)?

Ah, aqui tem um scan de uma matéria sobre o som dele: http://funksheet.blogspot.com/2009/07/robben-ford-gear-2000.html

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~ por Paulo Grua em 27/01/2010.

10 Respostas to “Robben Ford – Blues Connotation”

  1. deve ser mto bom esse cd, assim q possivel pegarei!!! olha os P-90 ali kkkkk

  2. Ea fender sig. dele?

  3. Maneiro o post, meu irmão. O timbre do Sr. Ford realmente é de doer o coração. Sou fã. Gosto muito dele tb com aquela 335 vermelha. Um grande abraço.

  4. Ah… vou baixar esse som, com certeza. Valeu!

  5. Orra meu obrigado tava loco atras desse

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