O Ataque do Klones


Atendendo a pedidos, fiz um vídeo demonstrando o Klone – um clone do famoso Klon Centaur, da Siberia, feito pelo meu amigo Guilherme Ribeiro.

Normalmente evito os clones mas, no caso desse pedal, de difícil acesso até mesmo para teste e, como foi feito artesanalmente por um colega, não uma empresa, resolvi dar uma chance.

Pra quem não sabe, lá fora o Klon tem de ser encomendado pessoalmente, e tem uma espera média de 3,5 meses. Com o salgado preço médio de US$350,00, costuma ser visto no Ebay de 600 a 1000 doletas para pronta entrega, por espertinhos que o compram apenas para revendê-los para os mais afoitos e endinheirados (sim, existem cambistas no mundo dos pedais). Na minha concepção, nenhum clone consegue replicar exatamente a sonoridade de um original, ainda mais um que tem alguns componentes até hoje desconhecidos (Bill Finnegan utiliza o chamado gooping, isto é, o uso de uma massa preta derretida sobre alguns componentes, escondendo seu valor; não é impossível de retirar, mas no processo muitas vezes apaga-se algum valor e/ou marca). Sem contar que a vibe nunca será a mesma – e, me desculpe, mas boa parte da graça dessas latas é o charme; caso contrário, comprava um PodX3 Live e fim-de-papo. Então, minha intenção nesse teste é mostrar o som desse pedal, que o Guilherme fez sob meu pedido.

Tem tempos que venho brincando de diferentes overdrives, do Sparkle Drive ao Fulldrive, passando por Organic Drive and Boost e The Drive. Sempre curti, por influência do Nigel Hendroff, aquele mid hump (médios ressaltados) típico de pedais que seguem a linhagem do TS-808. O Sparkle Drive e o Fulldrive são variações do circuito do Tubescreamer, e eu os curtia muito, mas acabei me desfazendo dos dois em rolos imbecis (certos pedais NÃO se trocam!! 😉 ). Como The Drive, curti sair daquela linha e entrar em uma onda mais britância, já que o circuito é um BSIAB II. Mas, para meus projetos atuais, o Zoe e o Interludio, estava sentindo falta de um drive mais limpo, definido, com médios na frente, mas sem tanta agressividade. O The Drive era muito bom, mas tinha ganho demais. E os TS da vida sempre comiam os graves. Daí, comecei a pesquisar qual drive poderia se encaixar na minha necessidade. Fora o que eu já havia testado pessoalmente, li muito e ouvi muito na internet (o que nem se compara ao teste “ao-vivo” , mas…). Ficaram alguns pedais bacanas na minha wish-list, dentre eles o Maxon OD-820 e o NoC3 Pure Drive, e o Klon. Todos só disponíveis na gringa pra comprar.

Resolvi então arriscar; já que ia quase às cegas, optei por testar um clone, que coubesse dentro do meu bolso e do meu prazo (tenho gravação em pouco tempo, sem contar que já havia vendido meu The Drive – aliás, como foi fácil e rápido vender esse pedal!). Contatei o Guilherme, tirei as dúvidas, definimos o tamanho para o padrão Mxr, pra manter tudo pequeno, a cor da caixa, a arte (quer dizer, a falta de arte, pq ainda hei de pintar eu mesmo o pedal), conferimos o lay-out do circuito, e, em menos de 15 dias, o pedal estava na minha casa. Recomendo o serviço do cara, super pontual e gente fina.

Bem, pra não transformar esse post numa tese, vou deixar que o som do vídeo fale por si. Ainda vou gravar com ele em amplis de verdade, porque com certeza isso muda o som. Mas posso dizer que a natureza do pedal está bem representada ali, e, ufa!, minha necessidade por um pedal limpo, com graves firmes e aquele ganho na medida de médios, quase Vox-y, foi atendida. Pedal plug-and-play como eu gosto, e que soa diferente em cada ampli, sem se impôr, mas, até agora, sempre fazendo o ampli soar melhor. Depois posto sobre como ele soou no Plexi, no JCM800 e no AC30 (não, nenhum deles é meu 😦 hehe).

Enjoy.

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~ por Paulo Grua em 26/01/2010.

15 Respostas to “O Ataque do Klones”

  1. Safado esse Bill Finegan hein?[

    Gostei do pedal…

  2. Graaande Grua!
    Valeu pelo excelente review cara, preciso arrumar mais clientes como você, hehe. E bem legal dar os devidos créditos ao Bill Finegan – apesar de eu não curtir o uso de gooping ou raspagem de componentes, o cara conseguiu fugir do lugar comum dos clones de TS que sempre vemos por aí (apesar de o pedal compartilhar com algo da eletrônica típica do TS) e criar algo diferente no mercado. E o blog tá excelente! Sei que o post foi outro, mas achei bem legal tu fugir do lugar comum dos “usuários de fuzz dos anos 60” e colocar o Billy Corgan como exemplo. O cara sabe usar o Big Muff como poucos!

    Abraços,

    Guilherme

  3. Tá um som arretado Grua. Parabéns pra vcê e pro Guilherme. Coisa fina isso aí. O blog tá show também!!!

  4. Valeu Fred!
    E Grua, sobre os pedais ainda tô no planejamento sobre uma página, mas tem meu blog de reviews de bandas de rock atuais e pouco conhecidas… linkei acima, mas pra todo caso, é http://www.fuelforamav.blogspot.com

    abraços!

  5. Lucca, saca só aqui: http://www.freestompboxes.org/viewtopic.php?f=13&t=1256

  6. Justamente daí. Foram uns bons anos de engenharia reversa até os caras conseguirem um esquema preciso, cada componente foi medido individualmente no multímetro, já que, como falado pelo Grua muitos valores são raspados e/ou perdem a marcação com a massa de epóxi, mas o legal é que o resultado final foi com os valores reais (e que mudam até de um Klon original pra outro).

  7. Bom salientar, que além do pedal ser ótimo, suas explicações são ótimas e sua pegada de altíssimo nível, lembrei da pegada do Page em priscas eras! Parabéns!

  8. Ressuscitando o post: gostaria de saber se o Guilherme tem um site, se além do seu vídeo há outros demonstrando especificamente o Klone… Enfim: estou seguindo o seu caminho, Paulo, apesar de já ter um TS-9, me interessei pelo Klon Centaur, mas o preço do pedal me impede de tê-lo, e o Klone pode ser uma boa pedida. Já li em algum lugar que até Jeff Beck usa um Klon Centaur…

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